Artigo original

PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADO INTERDISCIPLINAR NA OBESIDADE: INTEGRAÇÃO ENTRE SAÚDE MENTAL, FARMACOTERAPIA E ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Evangelia Esther Mustelier Kindelan; Priscyla Paulina Silva; Luara Silva Nascimento; Maria Aparecida de Andrade Mundim; Larissa Batista da Silva; Vânia Cristina da Silva; Lara Eduarda Gomes da Silva Camargo; Franciele Haselein; Javan Ferreira; Leomjiria Silva Santos

Edição
Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
Publicado em
12/09/2026
Páginas
1-14
Idioma
pt-BR

Resumo

A obesidade constitui uma das principais doenças crônicas não transmissíveis do século XXI, caracterizando-se como condição multifatorial resultante da interação entre fatores biológicos, genéticos, metabólicos, psicológicos, comportamentais, socioeconômicos e ambientais. Sua elevada prevalência representa importante desafio para os sistemas de saúde devido ao aumento da morbimortalidade, aos elevados custos assistenciais e à associação com doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, neoplasias, distúrbios osteoarticulares, transtornos mentais e redução significativa da qualidade de vida. Nesse cenário, o tratamento centrado exclusivamente na perda ponderal demonstra eficácia limitada quando não contempla as necessidades biopsicossociais dos indivíduos. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) emerge como ferramenta estratégica para organização do cuidado interdisciplinar, permitindo a elaboração compartilhada de planos terapêuticos individualizados, construídos a partir das necessidades, vulnerabilidades, potencialidades e expectativas dos usuários. O presente estudo objetiva discutir a relevância do PTS como estratégia de cuidado interdisciplinar na obesidade, enfatizando a integração entre saúde mental, farmacoterapia e Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de um estudo descritivo, de natureza qualitativa, fundamentado em relato de experiência associado à revisão narrativa da literatura científica recente. A discussão evidencia que a integração entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, educadores físicos e assistentes sociais amplia a capacidade resolutiva dos serviços, favorecendo maior adesão terapêutica, humanização do cuidado e melhores desfechos clínicos. Observa-se ainda que a incorporação da farmacoterapia, especialmente dos agonistas dos receptores de GLP-1, deve ocorrer dentro de um modelo assistencial interdisciplinar, evitando práticas centradas exclusivamente na medicalização e fortalecendo intervenções voltadas à promoção da saúde, educação alimentar, atividade física e acompanhamento longitudinal. Conclui-se que o Projeto Terapêutico Singular representa instrumento essencial para consolidação da integralidade do cuidado, fortalecimento da Atenção Primária e melhoria dos resultados clínicos das pessoas que vivem com obesidade.

Palavras-chave

  • Obesidade. Projeto Terapêutico Singular. Atenção Primária à Saúde. Saúde Mental. Equipe Multiprofissional. Farmacoterapia.

Texto completo

Preparando o PDF...