Artigo original

HANSENÍASE: “A DOENÇA ESQUECIDA” - DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E COMBATE AO ESTIGMA SOCIAL

Ana Lúcia da Paz Silva; Vera Márcia de Souza Diniz Oliveira; Roseane Lopes Nóbrega; Jéssica Mariane de Jesus Lopes de Araújo; André Luís Silva Almeida; Rosilda Aparecida de Freitas; Haíssa Helena Garcia da Silva Folador; Samara Carolina Pereira Larré; Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto; Daniel Motta Corrêa Pinto

Edição
Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
Publicado em
26/10/2026
Páginas
1-15
Idioma
pt-BR

Resumo

A hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública, apesar dos avanços científicos relacionados ao diagnóstico, ao tratamento e à organização dos serviços de saúde. Causada pelo Mycobacterium leprae, a doença compromete principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo ocasionar incapacidades físicas, limitações funcionais e repercussões psicossociais. No Brasil, sua persistência está relacionada não apenas a fatores clínicos e epidemiológicos, mas também às desigualdades socioeconômicas, às dificuldades de acesso aos serviços de saúde e à permanência de preconceitos historicamente construídos. O objetivo deste estudo é analisar os principais desafios associados ao diagnóstico oportuno, ao tratamento integral e ao enfrentamento do estigma social relacionado à hanseníase no contexto brasileiro. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de caráter descritivo e analítico, fundamentada em documentos institucionais do Ministério da Saúde e em publicações científicas brasileiras e internacionais sobre epidemiologia, vulnerabilidade, políticas públicas e discriminação. A análise evidencia que a identificação tardia dos casos favorece o surgimento de incapacidades potencialmente evitáveis, enquanto a desinformação e o medo da exclusão podem dificultar a procura por atendimento e comprometer a continuidade do cuidado. Verifica-se, ainda, que a disponibilidade de tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), embora fundamental, não elimina isoladamente as barreiras sociais e assistenciais. Conclui-se que o enfrentamento da hanseníase exige ações articuladas de vigilância epidemiológica, fortalecimento da atenção primária, avaliação sistemática de contatos, educação em saúde, reabilitação e proteção dos direitos humanos. A superação do estigma deve ser reconhecida como parte integrante do cuidado, e não como uma intervenção secundária.

Palavras-chave

  • Hanseníase. Diagnóstico precoce. Tratamento. Estigma social. Saúde pública.

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