Artigo original

ENTRE O ESGOTAMENTO E A RESILIÊNCIA: BURNOUT, SOFRIMENTO EMOCIONAL E OS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA SAÚDE MENTAL DOCENTE

Kétura Raquelle de Paula e Silva

Edição
Vol. 1, No. 1 (jan./jun. 2026) — Tecnologia, Saúde e Cidadania - Edição Inaugural 2026
Publicado em
22/09/2026
Páginas
1-15
Idioma
pt-BR

Resumo

O trabalho docente compreende um conjunto complexo de demandas pedagógicas, administrativas, relacionais e emocionais que, quando articuladas a sobrecarga laboral, baixa autonomia, precariedade de recursos, conflitos interpessoais, desvalorização profissional e insuficiente suporte institucional, podem favorecer processos de sofrimento psíquico e esgotamento ocupacional. Nesse contexto, o burnout constitui fenômeno relacionado ao estresse crônico no trabalho, caracterizado pela exaustão, pelo distanciamento mental ou sentimentos de negativismo em relação à atividade profissional e pela redução da eficácia profissional, conforme a Classificação Internacional de Doenças – CID-11 da Organização Mundial da Saúde. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas brasileiras acerca da relação entre burnout, sofrimento emocional e condições de trabalho docente, identificando fatores associados, repercussões para a saúde mental e estratégias de prevenção e enfrentamento. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, estruturada a partir da formulação da questão norteadora, definição de critérios de elegibilidade, busca sistematizada, seleção, extração e síntese crítica das evidências. Foram priorizadas publicações brasileiras entre 2021 e 2025, complementadas por estudos de referência e documento oficial da Organização Mundial da Saúde, considerando investigações realizadas com professores da educação básica e do ensino superior e estudos que abordassem burnout, saúde mental, sofrimento emocional, condições de trabalho ou fatores psicossociais relacionados à docência. A síntese das evidências demonstra que o burnout apresenta natureza multifatorial e está relacionado não apenas a características individuais, mas também à organização e às condições concretas de trabalho. Evidências mais recentes também apontam associação entre burnout e insatisfação profissional, intenção de abandono da carreira, ausência de apoio da gestão, sobrecarga e dificuldades organizacionais. Estudos brasileiros identificaram ainda relações entre saúde mental docente, condições de trabalho, autocompaixão e sentido de vida, embora os efeitos observados para os fatores individuais sejam de pequena magnitude e não substituam intervenções estruturais. Uma revisão integrativa brasileira, por sua vez, identificou desvalorização profissional, violência, conflitos, assédio, exaustão emocional, sobrecarga e insuficiência de suporte organizacional entre os principais elementos relacionados ao burnout docente. Conclui-se que o enfrentamento do burnout entre professores requer uma abordagem sistêmica, articulando promoção da saúde mental, fortalecimento do suporte institucional, melhoria das condições e da organização do trabalho, prevenção de violências e assédio, valorização profissional e desenvolvimento de ambientes educacionais psicologicamente seguros. As evidências disponíveis reforçam, portanto, que a prevenção do adoecimento docente não deve ser atribuída exclusivamente à capacidade individual de enfrentamento, mas compreendida como responsabilidade compartilhada entre instituições educacionais, gestores, políticas públicas e sistemas de proteção à saúde do trabalhador.

Palavras-chave

  • Burnout. Docentes. Saúde mental. Sofrimento psíquico. Condições de trabalho. Saúde do trabalhador.

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