Artigo original
DA TERAPIA À BIOECONOMIA: POTENCIAL CIENTÍFICO DA CANNABIS MEDICINAL E DO CÂNHAMO INDUSTRIAL PARA A INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL
Zuleide Carvalho; Rogerio Matheus Pinheiro Carreira; Julyanne Karine Auxiliadora Gonçalves dos Santos; Viviane Ferreira Matos; Francilene Álvares de Barros; Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto; Daniel Motta Corrêa Pinto; Dayane Ketleyn dos Santos Barros; Maicon de Barros Simon; Mariane do Nascimento Rimes Pereira
- Edição
- Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
- Publicado em
- 26/10/2026
- Páginas
- 1-15
- Idioma
- pt-BR
Resumo
A Cannabis sativa L. tem despertado interesse científico por reunir compostos de relevância farmacológica e matérias-primas com possibilidades de aplicação em diferentes cadeias produtivas. Enquanto a cannabis medicinal é investigada sobretudo pela atividade de canabinoides, como o canabidiol (CBD) e o delta-9-tetraidrocanabinol (THC), o cânhamo industrial se destaca pelo potencial de aproveitamento de fibras, sementes, óleos e biomassa na fabricação de materiais, alimentos, compósitos e produtos de base biológica. Este artigo tem como objetivo analisar o potencial científico e tecnológico dessas duas vertentes, relacionando evidências terapêuticas, sustentabilidade, inovação industrial e desafios regulatórios, com atenção especial ao contexto brasileiro. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, construída a partir de estudos clínicos, revisões científicas, publicações brasileiras e documentos regulatórios relacionados à cannabis medicinal e ao cânhamo industrial. A literatura indica evidências clínicas mais consistentes para determinadas formulações de canabidiol no tratamento adjuvante de síndromes epilépticas específicas, enquanto outras aplicações terapêuticas exigem maior padronização e ensaios de melhor qualidade. No campo industrial, a versatilidade da planta favorece pesquisas em fibras, biocompósitos, materiais para construção, bioenergia e valorização de resíduos. Entretanto, benefícios ambientais não são automáticos: dependem do manejo agrícola, do uso de insumos, da transformação industrial, do transporte e da destinação final dos produtos. No Brasil, a expansão desse campo também exige segurança jurídica, controle sanitário, capacidade analítica, pesquisa agronômica e políticas de acesso equitativo. Conclui-se que a integração entre biotecnologia, saúde, agricultura e economia circular pode transformar o potencial da Cannabis sativa em oportunidades de inovação sustentável, desde que o desenvolvimento seja orientado por evidências, rastreabilidade, responsabilidade ambiental e regulação proporcional aos riscos.
Palavras-chave
- Cannabis medicinal
- cânhamo industrial
- bioeconomia
- inovação sustentável
- canabinoides.
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