Artigo original

FISIOTERAPIA NA TERAPIA INTENSIVA CONTEMPORÂNEA: DA ESTABILIZAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA À REABILITAÇÃO FUNCIONAL E À RECUPERAÇÃO PÓS-UTI

Roseane Lopes Nóbrega

Edição
Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
Publicado em
20/10/2026
Páginas
1-13
Idioma
pt-BR

Resumo

A crescente complexidade dos pacientes criticamente enfermos e a ampliação da sobrevida após condições graves modificaram substancialmente o papel da Fisioterapia nas unidades de terapia intensiva (UTI). Nesse contexto, a atuação fisioterapêutica ultrapassa a tradicional perspectiva centrada exclusivamente no suporte ventilatório e passa a incorporar avaliação funcional sistemática, prevenção e manejo da fraqueza adquirida na UTI, mobilização precoce, treinamento muscular respiratório, progressão da capacidade funcional e continuidade do cuidado após a alta. Este artigo teve como objetivo analisar criticamente as evidências contemporâneas acerca da atuação da Fisioterapia na terapia intensiva, com ênfase nos efeitos da mobilização precoce, reabilitação física, treinamento muscular inspiratório, manejo respiratório e estratégias direcionadas à prevenção das consequências da doença crítica. Foi realizada revisão narrativa crítica da literatura recente, priorizando revisões sistemáticas, meta-análises, diretrizes clínicas e estudos clínicos publicados entre 2024 e 2026, identificados principalmente nas bases PubMed/MEDLINE e em periódicos especializados em terapia intensiva, fisioterapia e reabilitação. As evidências contemporâneas indicam que protocolos estruturados de mobilização precoce podem reduzir a duração da ventilação mecânica e da permanência na UTI, além de favorecer força muscular e funcionalidade. Meta-análise recente envolvendo 59 ensaios randomizados e 8.462 pacientes identificou redução da incidência de fraqueza adquirida na UTI e possível redução do tempo de ventilação mecânica com estratégias de mobilização ampliada. Outra síntese de 16 ensaios, envolvendo 2.385 pacientes, encontrou redução média de 1,02 dia na permanência em UTI e de 1,07 dia na duração da ventilação mecânica, além de melhora da força muscular e do estado funcional. Entretanto, os resultados não sustentam a interpretação de que maior intensidade de intervenção seja universalmente superior, uma vez que a dose, o momento de início, a intensidade, a progressão e as características clínicas dos pacientes permanecem heterogêneos. O treinamento muscular inspiratório apresenta papel particularmente relevante em pacientes submetidos a desmame difícil ou prolongado, enquanto a mobilização passiva isolada possui evidência insuficiente como estratégia reabilitadora principal. Conclui-se que a Fisioterapia constitui componente essencial do cuidado contemporâneo ao paciente crítico, devendo atuar de maneira individualizada, progressiva, segura e integrada à equipe multiprofissional, abrangendo desde a estabilização cardiorrespiratória até a recuperação funcional e a transição para o cuidado pós-UTI.

Palavras-chave

  • Fisioterapia. Terapia intensiva. Mobilização precoce. Reabilitação. Fraqueza adquirida na UTI. Ventilação mecânica. Recuperação funcional.

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