Artigo original
FEMINICÍDIO DE MULHERES NEGRAS NO BRASIL: DESIGUALDADES SOCIAIS, RACISMO ESTRUTURAL E REPERCUSSÕES NA SAÚDE MENTAL
Helen Glayce Vieira de Castilho; Andreia Machado Tompsen; Enio Grazianni Goncalves Sirqueira; Kétura Raquelle de Paula e Silva; Mara Rúbia da Conceição Ferreira; Boaventura da Silva Leite Filho; Karine Helena Cota; Jéssica Mariane de Jesus Lopes de Araújo; Vivian Valdileide dos Santos; Alice Cristina de Araujo Nascimento
- Edição
- Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
- Publicado em
- 26/10/2026
- Páginas
- 1-12
- Idioma
- pt-BR
Resumo
O feminicídio constitui uma expressão extrema da violência contra as mulheres e um importante problema de saúde pública, segurança e direitos humanos. No Brasil, a ocorrência da violência letal apresenta distribuição desigual segundo raça/cor, evidenciando a necessidade de incorporar a dimensão racial às análises sobre violência de gênero. Este artigo teve como objetivo analisar o feminicídio de mulheres negras no Brasil, com ênfase nas desigualdades sociais, no racismo estrutural, na violência doméstica e nas repercussões sobre a saúde mental. Trata-se de revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter analítico, fundamentada em artigos científicos brasileiros publicados prioritariamente entre 2024 e 2026, complementados por documentos oficiais e legislação nacional. A literatura analisada demonstra que mulheres negras apresentam importante sobrerrepresentação entre as vítimas de violência de gênero e feminicídio. Estudos recentes também evidenciam que racismo e violência doméstica podem se articular na produção de experiências específicas de vulnerabilidade, enquanto a discriminação racial nos serviços de saúde constitui obstáculo adicional ao cuidado. A análise demonstra ainda que as repercussões da violência ultrapassam as lesões físicas, envolvendo sofrimento psíquico, comprometimento da autonomia, medo, insegurança e dificuldades de acesso à proteção. Conclui-se que o enfrentamento do feminicídio de mulheres negras requer abordagem interseccional, qualificação dos profissionais, fortalecimento das políticas de prevenção, integração da rede de proteção e incorporação sistemática do marcador raça/cor na produção e interpretação dos dados.
Palavras-chave
- Feminicídio. Mulheres negras. Racismo estrutural. Violência de gênero. Saúde mental. Interseccionalidade.
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