Artigo original
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA COMO PRECURSORA DO FEMINICÍDIO: IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL E POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO MULTIPROFISSIONAL
Vinícius Gonçalves Pires; Samia Maria Ribeiro; Pablo Pereira de Carvalho; Karine Helena Cota; Boaventura da Silva Leite Filho; Jéssica Mariane de Jesus Lopes de Araújo; Helen Glayce Vieira de Castilho; Zamenha Alves Campos Vidal; Enio Grazianni Goncalves Sirqueira; Letícia Monteiro Souza
- Edição
- Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
- Publicado em
- 26/10/2026
- Páginas
- 1-11
- Idioma
- pt-BR
Resumo
A violência psicológica constitui uma das manifestações mais frequentes e menos visíveis da violência contra as mulheres, podendo envolver humilhação, ameaças, controle, isolamento, manipulação, perseguição, desqualificação e restrição da autonomia. Embora não seja possível afirmar que toda violência psicológica necessariamente evolua para violência física ou feminicídio, evidências recentes indicam associação entre violência psicológica, revitimização, sofrimento mental e agravamento dos ciclos de violência. Este estudo teve como objetivo analisar a violência psicológica como possível marcador de agravamento da violência de gênero, suas repercussões sobre a saúde mental e as possibilidades de intervenção multiprofissional. Foi realizada revisão narrativa de literatura, utilizando publicações científicas e documentos institucionais prioritariamente produzidos entre 2024 e 2026. A literatura demonstra associação entre violência por parceiro íntimo e depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e ideação suicida. No Brasil, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 registrou 51.866 ocorrências de violência psicológica contra mulheres em 2024, aumento de 6,3% em relação a 2023. Estudos nacionais também apontam expressiva subnotificação dessa forma de violência nos sistemas de saúde. A literatura sugere que comportamentos de controle coercitivo, isolamento, ameaças e desqualificação podem reduzir a autonomia da vítima e dificultar a busca por ajuda, constituindo sinais relevantes para avaliação de risco. A intervenção deve envolver saúde, assistência social, psicologia, enfermagem, medicina, serviço social, segurança pública, sistema de justiça e demais setores da rede de proteção. Conclui-se que o reconhecimento precoce da violência psicológica pode contribuir para interromper ciclos de violência, reduzir danos à saúde mental e ampliar oportunidades de proteção, embora sua presença não permita predizer isoladamente a ocorrência de feminicídio.
Palavras-chave
- Violência psicológica. Feminicídio. Saúde mental. Violência por parceiro íntimo. Intervenção multiprofissional.
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