Artigo original

ENTRE CONQUISTAS E INVISIBILIDADES: A PARTICIPAÇÃO DE MULHERES NEGRAS E INDÍGENAS NA HISTÓRIA DO VOTO FEMININO BRASILEIRO E SEUS REFLEXOS NA REPRESENTATIVIDADE POLÍTICA CONTEMPORÂNEA

Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto; Daniel Motta Corrêa Pinto; Luiz Henrique dos Santos; Samara Carolina Pereira Larré; Roseane Lopes Nóbrega; Mara Rúbia da Conceição Ferreira; Carlos Eduardo da Silva Galante; Maria Miryam da Silva Alves; Alice Cristina de Araujo Nascimento; Renânia Gonçalves Pereira

Edição
Vol. 1, No. 2 (jul./dez. 2026) — v.1 n.2 2026 — Tecnologia, Saúde e Cidadania – Inovação e Impacto Social
Publicado em
21/10/2026
Páginas
1-11
Idioma
pt-BR

Resumo

A conquista do direito ao voto feminino no Brasil, formalizada pelo Código Eleitoral de 1932 e consolidada constitucionalmente em 1934, constitui marco fundamental da ampliação da cidadania política. Entretanto, a narrativa tradicional sobre o sufrágio feminino brasileiro frequentemente privilegia trajetórias vinculadas às mulheres brancas de segmentos médios e urbanos, produzindo lacunas quanto à participação histórica e às experiências políticas de mulheres negras e indígenas. Este artigo teve como objetivo analisar, sob perspectiva interseccional, a trajetória histórica do sufrágio feminino no Brasil, discutindo os processos de visibilização e invisibilização das mulheres negras e indígenas e suas relações com a representação política contemporânea. Trata-se de estudo de revisão narrativa de literatura, de caráter qualitativo, associado à análise documental de dados eleitorais disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de documentos institucionais relacionados à cidadania política. Foram priorizados artigos científicos brasileiros publicados em periódicos indexados, com ênfase em estudos recentes sobre gênero, raça, povos indígenas, representação política, financiamento eleitoral e participação institucional. A literatura demonstra que a universalização formal do direito ao voto não eliminou desigualdades estruturais relacionadas a raça, gênero, classe, escolaridade, recursos econômicos, recrutamento partidário e violência política. Estudos recentes indicam crescimento da presença de mulheres negras e indígenas nas disputas eleitorais, mas revelam persistência de assimetrias entre candidaturas e efetiva ocupação de espaços decisórios. Nas eleições de 2022, por exemplo, mulheres negras ampliaram sua participação na Câmara dos Deputados, embora permanecessem sub-representadas em relação à composição social brasileira. Entre mulheres indígenas, estudos sobre as eleições de 2014, 2018 e 2022 identificam crescimento das candidaturas e fortalecimento da mobilização política indígena. Conclui-se que a história do voto feminino brasileiro precisa ser reinterpretada de forma plural, reconhecendo que a conquista jurídica da cidadania eleitoral constitui apenas uma dimensão da participação política. A representatividade contemporânea depende também da capacidade de transformar direitos formais em condições concretas de candidatura, financiamento, eleição, permanência e exercício do poder.

Palavras-chave

  • mulheres negras
  • mulheres indígenas
  • sufrágio feminino
  • representação política
  • interseccionalidade.

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