Artigo original
COBERTURA VACINAL INFANTIL NO BRASIL: DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS, HESITAÇÃO VACINAL E ESTRATÉGIAS PARA O FORTALECIMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Zamenha Alves Campos Vidal; Alana Santana e Silva; Juliana Belarmino de Carvalho; Tayná Araújo Viana da Cunha; Jhenifer Sartori Gomes Naressi; Francisco das Chagas da Silva; Liliane Mangabeira Plácido; Vanessa Santos Silva Corrêa Pinto; Harryson Kleyn de Sousa Lima; Thayne Lima Soares
- Edição
- Vol. 1, No. 1 (jan./jun. 2026) — Tecnologia, Saúde e Cidadania - Edição Inaugural 2026
- Páginas
- 1-14
- Idioma
- pt-BR
Resumo
A vacinação infantil constitui uma das principais estratégias de prevenção de doenças imunopreveníveis e representa componente essencial das políticas de saúde pública, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde. Apesar da histórica capacidade do Programa Nacional de Imunizações de ampliar o acesso às vacinas e controlar ou eliminar importantes doenças, o Brasil vivenciou, sobretudo a partir da segunda metade da década de 2010, redução de coberturas vacinais e aumento de crianças com esquemas incompletos. Nesse contexto, a hesitação vacinal passou a receber maior atenção, embora evidências recentes indiquem que o fenômeno não pode ser explicado exclusivamente pela recusa deliberada das famílias, uma vez que dificuldades de acesso, horários de funcionamento, indisponibilidade de imunobiológicos, problemas nos serviços e dificuldades de acompanhamento também interferem na vacinação infantil. O presente artigo teve como objetivo analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, os principais desafios contemporâneos relacionados à cobertura vacinal infantil no Brasil, com ênfase na hesitação vacinal, nas barreiras de acesso e nas estratégias de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde. Foram consideradas publicações científicas recentes, prioritariamente brasileiras, além de documentos oficiais do Ministério da Saúde e dados nacionais e internacionais relacionados à vacinação infantil. A literatura demonstra que a redução das coberturas resulta da interação entre fatores individuais, familiares, sociais, econômicos, comunicacionais e programáticos. Estudos nacionais recentes identificaram associação entre hesitação, escolaridade, condições socioeconômicas, percepções sobre segurança das vacinas e experiências dos responsáveis com os serviços de saúde. Estratégias como busca ativa, Monitoramento Rápido de Vacinação, atuação dos agentes comunitários de saúde, educação em saúde, qualificação da comunicação e integração entre vigilância e Atenção Primária apresentam potencial para recuperar esquemas atrasados. Dados mais recentes também demonstram recuperação importante da vacinação infantil brasileira, com expressiva redução do número de crianças consideradas zero-dose. Conclui-se que a manutenção desse processo exige políticas permanentes de vacinação, fortalecimento dos serviços de base territorial, qualificação profissional, comunicação baseada em evidências e acompanhamento nominal das crianças.
Palavras-chave
- Saúde mental. Adolescência. Escola. Professores. Acolhimento. Sofrimento psíquico. Pós-pandemia.
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